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2021 será um bom ano para comprar um imóvel?

Mesmo com alta de preços e juros, comprador ainda encontra condições favoráveis para comprar um imóvel, segundo especialistas.


O ano de 2020 foi marcado por incertezas diante da pandemia do novo
coronavírus, mas o mercado imobiliário surpreendeu o mais otimista dos
analistas. Com um crescimento de 58% no período, os financiamentos para aquisição e construção de imóveis
com recursos da poupança atingiram R$ 124 bilhões, superando o recorde
histórico de R$ 112,9 bilhões, de 2014, – período do boom do setor. comprar um imóvel

Foram
financiadas com esses recursos 426,8 mil unidades, uma alta de 43,2% em
relação a 2019, segundo dados da Associação Brasileira de Entidades de
Crédito Imobiliário e Poupança (Abecip).

O avanço foi impulsionado
pelo barateamento do crédito para financiamento imobiliário. Com os
sucessivos cortes da Selic, a taxa básica de juros, que chegou ao final
de 2020 a 2%, os bancos reduziram os juros para financiar imóveis. Além
disso, muitas famílias que passaram a trabalhar em teletrabalho devido à
pandemia buscaram casas maiores e em cidades menores perto dos grandes
centros.

A demanda aquecida resultou em aumento de preços nesse
setor em 2020. Segundo o índice FipeZap, que monitora unidades
anunciadas para venda em 50 cidades, houve uma alta nominal no ano
passado de 3,67%, no primeiro avanço do indicador desde 2016. A variação
ainda representa uma perda real, mas ficou mais em linha com a inflação
medida pelo IPCA, que fechou 2020 em 4,52%, na comparação com os outros
anos.


Para 2021, a tendência é que os preços dos imóveis sigam em alta. E
analistas do mercado financeiro também preveem uma elevação da Selic,
encerrando o ano em 3,5%, o que pode encarecer o crédito imobiliário.

Esse
cenário, no entanto, não deve atrapalhar os planos de quem pretende
adquirir um imóvel. Isso porque o comprador ainda encontrará boas
condições de crédito e preços atrativos no mercado, segundo
especialistas consultados pelo Metrópoles.

Sergio Cano, professor
do MBA da Fundação Getulio Vargas (FGV) e especialista em mercado
imobiliário, afirma que o preço dos imóveis ainda está depreciado em
relação ao boom imobiliário que se encerrou em 2014. Segundo ele,
dependendo da cidade, a defasagem chega entre 10% e 30%, considerando a
inflação.

“Os preços dos imóveis ainda em 2021 têm uma defasagem
em relação ao período do boom. Então, na minha visão, estamos em um
momento ideal para a compra de imóvel. Você vai pegar o preço com uma
defasagem, com boas taxas de juros para financiamento, além de encontrar
uma oferta de crédito grande e com várias modalidades de
financiamento”, afirma o especialista.

Compro agora ou depois?

Embora
a tendência seja de recuperação de preços em 2021, Bruno Oliva,
economista da Fipe e coordenador do FipeZap, avalia que o ritmo de alta
não será na mesma velocidade e magnitude vistas há 10 anos. Nesse
sentido, diz o economista, o comprador não precisa ter pressa para
fechar negócio com receio de um aumento expressivo nos valores dos
imóveis.

“É importante dizer que nessa situação em que os preços
não sobem tão rapidamente, as pessoas têm tempo para procurar um imóvel
que se adeque às suas condições e necessidades. Então, não há motivo
para desespero, como a gente já viu em 2010 e 2011 porque os preços
subiam rapidamente”, afirma Oliva.

Na capital paulista, no
entanto, as unidades residenciais novas já ficaram, em termos reais, 12%
mais caras em 2020, e os preço devem subir mais neste ano, segundo
Emilio Kallas, vice-presidente de Incorporação e Terrenos Urbanos
Sindicato da Habitação (Secovi-SP).

“Quem comprar o mais rápido
possível sai na vantagem. Em 2021, talvez o preço suba 5% ou 6%, o que é
muita coisa. Acho que tem que comprar o mais rápido possível, mas com a
cabeça no lugar. Se tiver dentro das suas condições e necessidades,
pode comprar”, diz Kallas, ressaltando que projeção não é um dado
oficial do Secovi-SP, mas uma avaliação como empresário do setor.

Além
da demanda aquecida, segundo ele, o aumento dos custos da construção
civil terá impacto no valor dos imóveis. Em 2020, o Índice Nacional de
Custos da Construção (INCC), calculado pela FGV, acumulou alta de 8,66%,
a maior variação anual desde os 12% registrados em 2008.

Kallas
diz que os estoques e os lançamentos já estão sendo estudados com esses
novos custos. “Outro fator importante [para alta de preços] é o fato de
não se ter terrenos viáveis em São Paulo ou se ter muito pouco por causa
do Plano Diretor, que é extremamente injusto com a classe média”,
acrescenta.

Impacto da alta de juros

Para
os especialistas, a Selic deve subir neste ano, conforme projetam os
analistas de mercado, mas a alta deve ter pouco impacto nos juros
cobrados no financiamento imobiliário.

“Estamos com uma Selic
espetacular, que deve subir, mas não parece que deve subir grandes
coisas. De 2% talvez vá para 4% ao ano, então a taxa continua atraente. A
taxa faz com que a prestação fique muito perto do aluguel, e essa
prestação tem sido de 30% a 50% abaixo do que se tinha há dois, três
anos”, afirma Kallas.

Oliva, da Fipe, explica ainda que, em geral,
o juro do financiamento tem uma defasagem em relação à taxa básica da
economia. “É natural a Selic começar a subir e depois de um tempo o
financiamento imobiliário seguir. Quem pretende comprar imóvel deve
ficar ligado e ver quando a taxa de juros do financiamento começar a
subir, mas não ficar desesperado porque não haverá um salto”, diz o
economista.

Segundo Cano, da FGV, outro fator que contribui para
que as taxas de juros cobradas em financiamento continuem atrativas é a
baixa inadimplência no setor. “Mesmo que haja um aumento expressivo da
Selic, não significa que imediatamente os bancos vão aumentar o juro de
crédito imobiliário, porque a inadimplência está sob controle. A taxa de
inadimplência está bem comportada”, afirma.

02/02/2021 Fonte: Metrópoles

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